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Eu, agora, me ordeno:
"Levante teu braço"
E, em gesto sereno,
Ele ergue-se no espaço
Posso dizer aletório
Dados em lançamento
Mas só porque é notório
Que desconheço o momento
Há condições iniciais
E variáveis não controladas
As leis da física são imparciais
E ditam as faces viradas
Do micro, ao macro indo
Que universo incognoscível!
Mas, se os fatores descobrindo,
Será o futuro previsível?
Não que haja destino,
Pois este é muito metafísico
Mas seria eu clandestino,
Neste mundo tão empírico?
Cada caso vem dum caso
É físico, biológico, exato
Do neurônio a meu braço
É certo, é óbvio, é fato
Só queria que houvesse
Um universo bem mais vítreo
E também que eu soubesse
Onde mora o livre arbítrio