sábado, 31 de outubro de 2015

Soneto acerca da irreciprocidade

              


  Consegui concluir meu segundo soneto após a Revolução Poética (que foi quando eu descobri que sonetos são metrificados). Este aí é decassílabo. O tema escolhi ao longo de uma conversa num chat. Apesar disso, ele é muito amplo e é oportuno atemporalmente e inespecificamente. Contudo, deixo aberto à interpretação. Espero que gostem e que se identifiquem (ou não):

Soneto acerca da irreciprocidade

Ai, como isso agita-me por inteiro
Agita-me como numa borrasca
Congela-me como numa nevasca
Cega-me assim como num nevoeiro

Porque não há o que fira ainda mais
Ao mesmo momento, espírito e mente
Onde foi plantada aquela semente?
Parece-me que foi nuns pedregais

Assim, nem broto ou fruto produziu
E, com isso, faltara-me alimento
Noites de fome contei até mil

Creio que terei de esperar o vento
Levar a semente a algum solo fértil
Com paciência, no certo momento

Balada ao teatro

              
   Acabei de terminar meu banho e me arrumar para sair. Isso porque eu vou fazer parte do elenco de uma peça teatral produzida por um dos professores da minha escola (com a colaboração de alunos e outros professores). Portanto, eu tenho um ensaio marcado para hoje de manhã e logo que acabar de digitar aqui já tenho de sair.
  Como homenagem ao teatro eu fiz uma balada (que na minha concepção é um poema. Tomara que eu esteja certo, mas vivendo e aprendendo). Ela tem muitas referência às falas do teatro, por isso vou postar aqui o link do texto para quem quiser ler a peça:
                                  Deu a louca na literatura brasileira (esteja logado no Facebook)
  O texto tem alguns poucos erros gramaticais, ortográficos e de digitação mesmo, pois não tivemos muito tempo de revisar, mas dá para compreender a história perfeitamente.
  Sem me demorar mais:

Balada ao teatro

Já até me imagino
Entrando no recinto
Só Deus sabe
Aquilo que sinto
Tomara que seja
Muito boa essa peça
Todos a querem
A querem a beça
Faço tudo o possível 
Para não faltar um ensaio
Mas há aqueles que faltam
Um grande descalábrio
Afinal, muitos deles
Encenam com Machado
Isso é um ultraje
Eu estou ultrajado
Eles esquecem
De seu compromisso
Eu digo: "Já chega
Já chega, só isso"
Digo isso a vocês
Preciso traduzir?
''Não temam senhores
Eu estou aqui"
Primeiro, pedimos
Por algo inovador
Assim como nas palavras
Do nobre senhor
Quanto aos demais
Qual a graça de vocês?
Precisamos apenas
De um tradutor de inglês
Estava, cá, eu
Pensando com meus botões:
''Tomara que essa obra
Toque-lhe os corações"
E, ao mesmo tempo,
Estamos divididos
Uns mais realistas
Outros desinibidos
E quanto aos que se preocupam
Ouçam o que eu vou dizer
Demos boas risadas
Não temos nada a perder
Aconselho a todos
Recuperem a energia
Treinem suas falas
De noite e de dia
O orçamento é pequeno
O palco, imenso
Não se trata de vaidade
É uma questão de bom senso
Muito me dediquei
Dei meu sangue e suor
 É por isso que sei
Minhas falas de cor
Essa, sim, é
Minha balada ao teatro
Mas vamos, sem demora,
Ensaiar mais um ato

P.S.: Acabei de descobrir que meu ensaio é só segunda, mas está valendo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Viagem ao centro da célula

               
  Esses dias, no colégio, eu decidi ficar de tarde com meus amigos que iam ter aula de inglês e redação. Foi uma boa escolha, pois tive a inédita oportunidade de entrar num celulário que o pessoal da USP montou na quadra lá da minha escola. Foi-nos mostrada uma apresentação sobre as células e a experiência foi muito legal. O nome da apresentação é "viagem ao centro da célula", em intertextualidade com a obra de Júlio Verne. Isso me inspirou a fazer um poema com o mesmo título. Confiram:

Viagem ao centro da célula

Pela membrana plasmática 
Comecemos nossa viagem
Seletivamente permeável
Só para alguns dá passagem

Bicamada fosfolipídica
Revestida de proteínas
Para dar proteção à célula
Até que esse conjunto combina

Agora, o citoesqueleto
Que à célula dá sustentação 
Assim, sua estrutura e forma 
Permanecem em conservação 

E, no meio do citoplasma,
Encontram-se as organelas 
Montando as proteínas
O ribossomo é uma delas

Também temos os lisossomos
Para o indesejado fagocitar 
Realizando o metabolismo
Para aproveitar e eliminar

Mas dos peroxissomos
Não nos esqueçamos 
Que à célula desintoxica
Eliminando o que não precisamos 

Há também os centríolos
Polimerizam as fibras do fuso
Para na divisão celular
O núcleo não ficar confuso

As mitocôndrias são responsáveis 
Pela respiração celular
Sintetizam moléculas de ATP
Para energia nos dar

Os papéis do complexo de Golgi
Armazenamento, empacotamento
E também secreção de substâncias 
E tudo isso no mesmo momento

E o retículo endoplasmático
Produzindo e secretando substâncias
O liso sintetiza lipídeos
O rugoso, proteínas, em primeira instância 

Então, a carioteca
Seletiva e porosa também
Protegendo e permitindo a passagem
Daquilo que vai e que e que vem

E dentro do chefe Núcleo
Um emaranhado de DNA
Com o papel de determinar
Como o indivíduo será

E, também, encontra-se o nucléolo
No meio daquele emaranhado
Produz RNA ribossômico
Para o referido ser montado

E depois de chegar ao centro
Após análise e observação
Como é linda essa célula
Quanto detalhe e organização!

Soneto metrificado

                             
                 

  Estava um pouco receoso de postar este soneto, pois foi minha última produção. Mas como eu tenho que explicar o que é um sonema, decidi colocar logo ele aqui.
  Basicamente, eu estava mostrando uns poemas e sonetos para meu querido colega Vitor Barbosa. Quando ele viu que meus sonetos não eram metrificados, logo ele me informou desta norma: a métrica em sonetos.
  Daí eu concluí que iria chamar meus antigos sonetos de sonemas, pois não passam de poemas, mas têm forma de soneto (4,4,3,3). Como resposta, fiz este soneto:
                     
                                                      Soneto metrificado

Sobre sonetos como este daqui
Eu somente conhecia por cima
Dentre todas as suas regras e suas leis
Apenas sabia que tinha rima

Ah, sim, também tinha conhecimento
De como era sua imagem e sua forma
Mas ele também, agora, tem métrica
Oh, meu deus, para que são tantas normas?

Mas, considerando essas regras todas
Talvez, assim, ao escrever um poema
Esqueça-me do conteúdo e do tema

No entanto, mais nenhum falso soneto
Assim como aqueles, escreverei
Porque, da poesia, muito pouco sei


                             

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sonema em vão

                             
               

  Sei que ainda é o primeiro dia, mas ainda estou empolgado e tenho muitas produções guardadas. Gostaria de postar aqui um sonema (esse nome é assunto de outra postagem, quem sabe a de amanhã) que fiz numa noite chuvosa. Eu não tinha muito o que fazer e queria escrever um poema e me saiu este sonema. Vejam só:
                                                             
                                                      Sonema em vão

Eu, como poeta,
Aspiro a um poema
Ainda que, na hora esta,
Não me ocorra nenhum tema

Falta de inspiração
Muita deliberação
Excesso de expectativa
Poesia pouco objetiva

Fico a buscar na chuva
De madrugada, uma centelha
Que me virá a telha?

Disse pouco com muito
Mas disse de coração
Pena que foi em vão