sábado, 31 de outubro de 2015

Soneto acerca da irreciprocidade

              


  Consegui concluir meu segundo soneto após a Revolução Poética (que foi quando eu descobri que sonetos são metrificados). Este aí é decassílabo. O tema escolhi ao longo de uma conversa num chat. Apesar disso, ele é muito amplo e é oportuno atemporalmente e inespecificamente. Contudo, deixo aberto à interpretação. Espero que gostem e que se identifiquem (ou não):

Soneto acerca da irreciprocidade

Ai, como isso agita-me por inteiro
Agita-me como numa borrasca
Congela-me como numa nevasca
Cega-me assim como num nevoeiro

Porque não há o que fira ainda mais
Ao mesmo momento, espírito e mente
Onde foi plantada aquela semente?
Parece-me que foi nuns pedregais

Assim, nem broto ou fruto produziu
E, com isso, faltara-me alimento
Noites de fome contei até mil

Creio que terei de esperar o vento
Levar a semente a algum solo fértil
Com paciência, no certo momento

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