domingo, 29 de novembro de 2015

O tempo dos tolos

                   

 
O tempo dos tolos

Ansiosidade leva à precipitação
Mas se é a tendência de seu coração
Mesmo que com a melhor intenção
Pense no que queres, então
Pois se você broto ainda é
E deseja os frutos que dão no pé
E ser frondosa árvore já quer
Para à seu alvo tu ires até
Lembre-se sempre do tempo
Já que, ao muito passar o vento
Ainda mais longe do seu alento
Está a tal de que estás sedento
Olhe! Ela logo se vai murchar
Sua estrada é como o mar
Mas ela já perdeu seu lar
A juventude não mais é colar
Que envolvia, então, sua aura
Dizia-se: "A produção não para!"
Hoje a peleja já se foi cara
Pois prazer não salva a alma
Logo, pense com mais calma
E reflita sempre no que veja
O vento muito rápido venteja
Então, cuidado com o que deseja

PS.: [Neologismo detectado]

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Literações 1

                        

   Estou aqui para começar um novo quadro sobre livros, ao passo que o blog é sobre literatura, de um modo geral. Amo ler, mas não postei ainda nada parecido, pois fiquei um período sem ler devido a meus compromissos. Mas agora estou praticamente de férias e estou voltando a ler. O primeiro livro que li nesse retorno foi "Gente pobre", o primeiro livro publicado por Fiódor Dostoiévski, grande escritor russo.
   Trata-se de um romance epistolar, ou seja, é uma história contada por meio de cartas (e também um caderno). Em tais epístolas, pode-se observar uma espécie de amor entre dois personagens: Makar e Bárbara. No início, parece um amor de paixão. Porém, o bonito é que, na verdade, é mais um amor filial. Ela trata-o como protetor e ele trata-a por amiga, às vezes.
   O livro também fala sobre a dicotomia do ser pobre. Isso é, o pobre care-se de bens materiais, mas pode ser muito rico em espírito. Isso pode ser visto em Makar, por exemplo, pois, apesar de contrair muitas dívidas por estar sempre comprando coisas para Bárbara e de viver em condições ruins e com um trabalho mal-pago (amanuense ou copista), ele mostra-se um homem muito espirituoso e sentimental.
   O livro não possui uma conclusão muito bem definida, mas a história em si merece ser contada e eu recomendo-o muito. Dentro do enredo, encontrei várias citações interessantes que gostaria de compartilhar para fechar esse post. Vejam só:

"Ás vezes, meu amor, dizem-se coisas absolutamente descabidas mesmo sem qualquer motivo, apenas por excesso de ternura ou numa efusão de cordialidade."

"Dar-se-á o caso de os lamentos dos esfomeados não deixarem dormir os que estão fartos?"

"Não chego a compreender como é que uns ainda no ventre da mãe estão destinados a serem felizes por toda a vida, ao passo que outros são atirados para a Roda e só conhecem tribulações durante todo o tempo que se demoram por este mundo de Cristo."

"[...] As novelas e as sátiras são verdadeiros disparates, escritos com o único fim de dizer tolices e os ociosos terem alguma coisa que ler." (não concordo 100% com isso)

"A desgraça é uma doença contagiosa, meu amigo! Os pobre e os desgraçados deviam viver longe uns dos outros, para que suas misérias se não agravassem mutuamente." (nem com isso)

"Como se pode viver no mundo e não saber que se tem ao alcance da mão uma obra, na qual se descreve uma vida completa, com todas as minúcias, como se fosse uma pintura."

"Todos fossem escritores, quem havia de ser copista? Para que o mundo possa subsistir, tem de haver sempre uns que mandem nos outros e lhes retesem as rédeas... Se assim não fosse, o mundo perderia o equilíbrio e não se aguentaria, transformar-se-ia num verdadeiro caos."



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Prosopopeias

            

Prosopopeias 

O que tem o homem
O homem crescido?
Toma decisões 
Faz parte de discussões
Tem opiniões 
Ah, mas no fundo
Está mais é perdido

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A boa moral



   Após um bimestre letivo debatendo ética e moral em minha aulas de atualidade, algumas discussões filosóficas com meu professor e uma vida juvenil em percussão, produzi algo poético acerca da boa moral. Poderão notar alguma rima pobre, mas como eu costumo dizer: "Rimas pobres enriquecem". Sempre lembrando de analisar que meus poemas, que não são sonetos, nem sonemas, nem grandes produções (tipo uma de 46 estrofes que eu perdi :( ), têm sempre 7 estrofes ou número de estrofes múltiplos de 7, ou seja, sempre buscando a perfeição (bem propícia essa observação). Observem:

A boa moral

Eis o que é mais ético:
O imperativo categórico
Não o trate como hipotético
De altruísmo, ele é pletórico

Lá dentro de nosso âmago
O nefasto é inerente
Mas esse pendor é vago
A virtude está à frente

Desejo sempre que minha moral
Alinhe-se à melhor ética
Que eu apoie-me no bom umbral
Para fugir da vida valética

Irei fazer o mais cândido
Jamais por medo, mas por temor
Daquele que me desfaz rescindido
Daquele que me é superior 

É preciso dedicação e estudo
Para cumprir meu objetivo
Prestar atenção em tudo
Nesse tempo, que é aflitivo

Quando há escuridão
A Palavra é minha luz
Em momentos de aflição
Ela sempre me conduz

Se não ando em retidão
A consciência é meu alarme
O que por espírito planto, então,
Eu não colherei com a carne



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Deliberações 2

                     

   Esta é mais uma edição do bloco de deliberações. Nela, vou discutir uma ideia que foi exposta por um filósofo do século XIX. Ela, no entanto, é menos uma ideia filosófica que antes uma observação crítica. Mesmo sendo de um século passado, a ideia desse pensador faz-se por bem atual. Trata-se de uma análise de Bauer (1809-1882). Antes de expô-la, assim como o texto base, vou discorrer algumas reflexões.
   Uma das primeiras coisas que eu apreendi das minhas primeiras aulas de química do ensino médio foi observar a inversão de valores da contemporaneidade. Isso, ao passo que nosso mundo atual é absorto em tecnologias que só são obtidas porque houve um processo que passou pela fundamentação teórica do projeto até o efetivo produto final. O valor passa a ser o resultado e não o processo.
   Trata-se da consequência de uma geração que, de modo geral, pôde ver coisas e tecnologias que não saberia compreender em sua totalidade de primeiro, mas que, mesmo assim, teve elas como prontas. Essa geração toma essas coisas por certo (tradução minha de uma ideia do inglês expressa por "take for granted"). 
   Trouxe essa reflexão para fazer um paralelo com a realidade atual, assim como Bauer observou em sua época. Essa continuidade histórica entre o atual e o século XIX é muito interessante, pois Bauer fundamentava-se em Hegel para afirmar que a conclusão natural de um desenvolvimento histórico (que, segundo ele, tende a concentrar-se no indivíduo) é uma passagem para uma nova espécie de ordem.
   A reflexão inicia-se da seguinte forma (baseada no que já foi dito): os conhecimentos que temos atualmente tanto científicos como filosóficos (que dizer da epistemologia) são resultado de um processo de pensamentos e análises de outras pessoas e, muitas vezes, de um conjunto de pessoas que, juntas (mesmo que não intencionalmente e diretamente) construíram o processo para tais conhecimentos.
   O que acontece é que há uma desvalorização desse processo. Não no sentido de ele não ser reconhecido, pois é, mas de ele não ser mais tão continuado, quanto antes reproduzido. Como creio na ciclicidade do processo final histórico de Hegel (não de forma restrita nem específica), espero que essa realidade seja renovada.
    É com base nessa ideia que posto um trecho do livro "De Hegel a Nietzsche" (novamente), que fala sobre tal crítica de Bauer:

   "As universidades [...] perderam seu atrativo, seus professores de filosofia são apenas repetidores de sistemas antiquados; elas não produzem mais um único pensamento novo, que podia movimentar o "pauperismo" espiritual e econômico, dissolveu o interesse pelos estudos metafísicos. Com razão o número de ouvintes das universidades decresce anualmente, enquanto as escolas técnicas têm mais afluência. Também as academias atestam a decadência dos estudos gerais, desde que elas são ocupadas por aqueles que se preocupam de modo mais trivial com suas profissões, os assalariados diaristas (Routiniers)."


sábado, 14 de novembro de 2015

Lis e Lótus

             

   Ontem, podemos ver as consequências do fundamentalismo islâmico. Vale lembrar que a liberdade de expressão religiosa é muito válida. Mas é importante ressaltar que a liberdade acaba quando começa a liberdade do outro. No caso, a liberdade é o direito à vida e à segurança.
   De forma alguma critico a religião islâmica. No entanto, critico aqueles que, por qualquer motivo ou intenção, tiram a vida do próximo. Nesse clima de tristeza, após um período sem postagens (estive muito ocupado ultimamente), que posto um poema inspirado no acontecimento:

Lis e Lótus

Linda e delicada
É a Flor-de-Lis
Mas a Flor-de-Lótus
Imperou em Paris

A de Lótus representa
A pureza espiritual
Suas cores são lindas
Seu aroma é mortal

Parece que essa
Levantou, criou vida
Pôs a mão sobre aquela
A qual foi colhida

Coitada dessa aqui
Está sendo julgada
Foi um mal-entendido
Não está sendo vingada

Usando minha licença
Torno algo inespecífico
Pois poesia não é
Nenhum saber científico

Mas não nos desviemos
Do sentido, então
Por mais que ambas
Tenham boa intenção

Nos resta esperar
As novas desabrocharem
Pois estamos vendo
As de Sexta murcharem


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Sonema das incertezas



(Fiquei indeciso entre essas duas imagens)

   Na incerteza entre um poema, um soneto e um sonema, acabei escolhendo mais um sonema, por comodidade. No entanto, é sempre uma grande indecisão. Devemos ter nossas crenças indeléveis para nos guiar ao longo de nossa vida. Ainda assim, dentro de nossa fé, há várias formas de agir e isso gera incertezas. Inspirado nessa verdade, fiz o tal sonema:

Sonema das incertezas

A pera é curvilínea
Magra em cima
Gorda em baixo
Doce como a lima

A goiaba é redonda
Verde por fora
Vermelha por dentro
Saborosa como abóbora

Pera ou goiaba?
Não sei o que escolho
Mas é melhor do que repolho

Essa é a vida
Tão linda é a mesa
Mas grande e cheia de incertezas


(28/01/2018) kkkk, Caramba, o que que eu escrevi aqui. Mas blz

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sonema de rotina

                        
   Acordei às 6:00, tomei banho, vou tomar café, saio de casa às 6:55, entro no colégio até às 7:10... Hoje é ontem ou amanhã?...

Sonema de rotina

Que dia é hoje?
Já perdi a vez?
É que ano?
É que mês?

Por acaso é amanhã?
Pois me sinto como ontem
Que, também, foi hoje
Ah, os dias que se contem

Espero pelo que se foi
Mas antes que me canse
Deixe-me dar nome ao boi

É o que, contra, não se opina
É aquele que mata o amor
O seu nome é rotina


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Deliberações 1

                           
   Estou aqui iniciando um quadro de discuções (fundamentalmente unilaterais, portanto são deliberações, mas sintam-se a vontade a mandarem comentários por e-mail e Facebook). Coloquei aqui a capa da 'Crítica da filosofia do direito de Hegel' de Karl Marx, pois a citação que se seguirá é desse livro. No entanto, não foi nele que a encontrei.
   Estava lendo o livro 'De Hegel a Nietzsche' de Karl Löwith. Na página 118 encontrei algo muito interessante, que me fez refletir até mesmo no que tinhamos visto na aula de filosofia. Tinhamos assistido a uma produção brasileira muito boa, chamada: 'Uma história de amor e fúria'. Ela, além de muitas críticas, fala da relação que a história tem com o presente, assim como da histórica luta contra as injustiças (Anhangá). Traz as frases: ''Viver sem conhecer o passado é andar no escuro" e "Meus heróis não viraram estátua, morreram lutando contra quem virou."
   Com base nessas reflexões, compartilho o referido texto. Leiam e reflitam:
 
   "Nós partilhamos a restauração dos povos modernos sem haver participado de suas revoluções. Fomos restaurados, em primeiro lugar, porque outros povos se atreveram a fazer uma revolução e, em segundo lugar, porque outros povos sofreram uma contrarrevolução, em um caso, porque nossos senhores tiveram medo e, em outro caso, porque nossos senhores não temeram. Nós, com nossos pastores à frente, somente nos encontramos em companhia da liberdade uma vez, no dia de sepultamento."
          Marx, com base em Hegel

Te sou

                

   Achei essa obra de Salvador Dalí perfeita para tematizar este poema. Especialmente porque ambas as obras, apesar de terem focos diferentes, são amplas em interpretação. A mensagem que quero passar é a dos efeitos da relativização do tempo e também do caminho reverso. Talvez seja um pouco complexo, mas durante a leitura talvez se compreenda melhor.
   Antes de liberá-lo aqui, quero esclarecer uma coisa. Como o título soa melhor em próclise do que em ênclise, uso da licença poética quanto a essa colocação pronominal. Também quero que se atentem à verbalização de substantivo e a reflexibilização de verbo. Aproveitem:

Te sou

Este, sim, o tempo é
Aquele que cultivo:
Relativamente certo
Certamente relativo

Com espanto nele penso
Em seu objetivo e fim
Que aquilo que é já terá sido
Isso é certo para mim

Entretanto, é relativo
Com referência em relação
Analisando, sem equívocos
A ação e a reação

Se aqui só estou
O meu medo sobrevém
O que passa é voraz
Desesperança traz também

Já se a ti é relativo
Acalmo-me, o pranto esvai
Pois, para mim, assim o tempo
Ter seu fim ele não vai

Que lindo seja, seja bom
Seja oportuno e de surpresas
Que cada dia se renove
Um novo dia agora chega

O tempo já não passa
Ele já se renovou
Não mais me espanto
Não te tempo, eu te sou



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sonema à andorinha

                
                       
   Gostaria de iniciar essa postagem já desejando um ótimo feriado a todos. Hoje vou compartilhar um sonema. Confiram:

Sonema à andorinha

Era uma vez, uma andorinha
Que tinha um bonito canto
Mas quando vinha a chuva
Quase morria de espanto


Era uma vez, uma andorinha
Que tinha lindas cores
Mas pelo bem-te-vi
Não morria de amores


Amava, sim, voar sobre o paiol
Mas quando vinha a luz
Escondia-se do sol


Como gosto dessa andorinha
Pena que, no entanto,
Ela ainda não é minha


domingo, 1 de novembro de 2015

Belos montes do desenvolvimento

               
   No segundo post de hoje, gostaria de compartilhar com todos um trabalho do meu amigo Vitor Barbosa (aquele que me falou dos sonetos). Ele é mestre em redação.
  Essa obra dele é uma crítica ao que ocorreu em Belo Monte. Vou deixar o link da notícia para mais detalhes:
Belo Monte
Fiquem com o poema:
Belos montes do desenvolvimento

Havia um belo monte no sapato
Três sapatos a mais na construção 
Um mogno derrubado por caixão 
Milhares derrubados no impacto


No topo desse desenvolvimento
Turbina vale mais que coração 
Energia da industrialização 
A vida é o preço da obra em andamento


O peixe do Xingu foi sitiado
O índio que o pescava já adoeceu
Seu filho agora nada esfomeado


Lá na mata que na água se perdeu
Cemitério dos peixes esmagados
O índio, o peixe, o operário - o rio morreu

Vitor Barbosa Silva, 2015

Sonema colorido

  Bem, aqui vai mais um do meu neologismo: um sonema. Este aí é outro que é muito amplo, aberto e pouco específico.
  Pena que não tive tempo de metrificá-lo, mas, do meu ponto de vista, ficou bem bonito. Cada cor tem um significado e aliate é a primeira estrela da cauda da constelação de Ursa Menor (algo que brilha). Observem:

Sonema colorido

Beleza aliate
Donde vieste
Com o intenso escarlate
Desta linda veste?

Olhar radiante
Revestido de anil 
Onde estavas antes 
Que ninguém te viu?

E lacuna azulada
Aonde foste, tão encabulada,
Perfazendo aquele vazio?

Creio que são todos matizes
Que fazem meus olhos felizes
E também meu coração juvenil