quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Te sou

                

   Achei essa obra de Salvador Dalí perfeita para tematizar este poema. Especialmente porque ambas as obras, apesar de terem focos diferentes, são amplas em interpretação. A mensagem que quero passar é a dos efeitos da relativização do tempo e também do caminho reverso. Talvez seja um pouco complexo, mas durante a leitura talvez se compreenda melhor.
   Antes de liberá-lo aqui, quero esclarecer uma coisa. Como o título soa melhor em próclise do que em ênclise, uso da licença poética quanto a essa colocação pronominal. Também quero que se atentem à verbalização de substantivo e a reflexibilização de verbo. Aproveitem:

Te sou

Este, sim, o tempo é
Aquele que cultivo:
Relativamente certo
Certamente relativo

Com espanto nele penso
Em seu objetivo e fim
Que aquilo que é já terá sido
Isso é certo para mim

Entretanto, é relativo
Com referência em relação
Analisando, sem equívocos
A ação e a reação

Se aqui só estou
O meu medo sobrevém
O que passa é voraz
Desesperança traz também

Já se a ti é relativo
Acalmo-me, o pranto esvai
Pois, para mim, assim o tempo
Ter seu fim ele não vai

Que lindo seja, seja bom
Seja oportuno e de surpresas
Que cada dia se renove
Um novo dia agora chega

O tempo já não passa
Ele já se renovou
Não mais me espanto
Não te tempo, eu te sou



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