sexta-feira, 25 de março de 2016

Confição Fancydress

               

   Torcidas demostrando conflitos históricos... Países incorporando personalidade ao longo da história, mesmo que constituídos por pessoas diferentes...

Confissão Fancydress

"Lamentando a pseudoerudição
dos que enxergam alguma beleza
na personificação de nações
ao longo do tempo,
em alguma homogeneização ideológica
de seus respectivos povos
dentro de contextos e interesses geopolíticos
mesmo que com funestos fins...
... Mais sensatos são os indiferentes
os alienados
os ignorantes
os sinceros"





sábado, 19 de março de 2016

Ano letivo

                     

   Hoje, encontro-me muito felizes. Isso, paralelo a qualquer motivo usual, deve-se ao fato de um grande achado pessoal. Basicamente, em 2015, fiz uma grande produção literária para um trabalho (grande em tamanho, mas a crítica é vosso ônus). Porém, perdi essa produção. Agora, encontrei-a. Isso foi motivo de muito contentamento. O tema (que está contido no título) fala de algo que me era muito presente. Um ponto positivo é que posso passar a analisar o texto diacronicamente. Apenas ressinto um pouco o fato de a conclusão já não se encaixar perfeitamente na minha realidade. Aqui está:



Ano letivo

Sejam todos bem-vindos
Esse é o primeiro dia
Com toda a turma
Esbanjando alegria



Foi bom o descanso
Quanta animação
Mas acordar esse horário
Eu não queria não

Chego, enfim
No ombro, a mochila
Na sala encontro
As carteiras em fila

Olho uma, olho outra
Porém, é em vão
Onde devo sentar?
Eis a questão

Vejo meus colegas
Novos também posso ver
Ó, quanto tempo
Tenho tanto a dizer

Diz Joãozinho:
"Quantas peraltagens
Conte-me amigo
Como foram as viagens?"

Diz Luizinha:
"Tantas novidades
Ó, minha amiga
Estou morrendo de saudades"

[ Essas aí, no entanto
Não sei nem se amigas são
Afinal, por que nas férias
Não se encontraram então ]

Por fim, meus pertences
Disponho em minha mesa
E, para o primeiro dia,
Até que com certa destreza

O estojo é novo
Está cheio de coisas
O caderno impecável
Olhe, cá, minha bolsa

E assim, perdura
Por mais umas semanas
Disciplina alemã
Disposição espartana...

...Era tudo ilusão
Verdade já não vi
Agora, a sala
Mais parece um zumbi

Se foi a alegria
Se foi o conforto
Até o professor
Já parece morto

No meio do cemitério
Há aqueles que falam
Fofocam, conversam
Mas nunca se calam

No meio dos que falam
Há aqueles que riem
Se apenas pelo professor
Consideração sentissem

E esta prosopopeia
Segue o dia inteiro:
"Com licença, professor
Posso ir ao banheiro?"

Percebo que essa vagareza
Não é somente minha
Veja só Joãozinho!
Veja só Luizinha!

Abro meu estojo
Está todo vazio
E a minha caneta
Por acaso, alguém viu?

Tentei organizar
Todo o meu caderno
Mas ordem não vejo
Esse, sim, é o inferno

Quando chego ao colégio
Meu cabelo molhado
Pois, mesmo com pressa,
Eu estava atrasado

Então, as matérias
Já não fazem sentido
Mas vou bem nas provas
Pois sou prevenido

Aula dada
Aula estudada
A última vez?
Quinta-feira passada

Enfim, julho chega
Pausa merecida e típica
O professor dos alunos
E essa verdade é recíproca

Adeus, vou à praia
Irei ver a maré
Porém, essa folga
Nem metade da outra é

Mesmo assim, aproveito
Cada dia que passa
Do quarto para a cozinha
Da cozinha para a sala

Retomam-se aulas
É um novo recomeço
Para todo e qualquer descanso
Eu dou muito apreço

Agora, minha sala
Está revigorada
Mas isso dura tanto
Quanto a última retomada

É o terceiro bimestre
Que chega decisivo
Agora, para estudar,
O que não falta é motivo

Ao seu final
Um cenário heterogêneo
Há aquele que é lerdo
Há aquele que é gênio

[ E agora, para você
Que a carapuça serviu
Não fique ofendido
Foi sem intenção, viu? ]

Uns já dizem:
"Que bom, já passei"
Outros, porém:
"Ó meu deus, que farei?"

E, assim, a sala
Segue no mesmo ritmo
Capivara ambulante
Caramujo legítimo

Hora de dizer as nota
"Acho que tirei dois"
"Professor, por favor,
Só me diga depois"

Está chegando o fim
Todos muito ansiosos
Outros, no entanto
Demasiado ociosos

É a reta final
Que bom! Finalmente!
De tanto trabalho
Já me cansava a mente

E, agora, para você
De exame final
Eu passei direto
Adeus, tchau-tchau!

Pois a família de alguns
Vai estar cortando o peru
Enquanto você, aí:
"Cadê o cruzeiro do sul?"

E alguns já estarão
Cantando com Noel
E você, aí:
"Que de Bandeira tem Manuel?"

De qualquer forma, então
Para casa você regressa
De certo, para a família
Isso é uma grande festa

Por fim, chegou o fim
Vou sentir muitas saudades
Mas não posso esconder
A minha felicidade

Amo a todos vocês
Estou muito emotivo
Vejo-os ano que vem
Em outro ano letivo!

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P.S.: Qualquer indício de arrogância é mera formalidade.


                                               

segunda-feira, 14 de março de 2016

O acaso

                    

O acaso

Caso o acaso cause um caso
 Do aleatório foi formado
De forma a tomar forma
Do flagelo até o passo
Passou-se o passado
Agora piso, penso, falo
Quer ou não, é bonito
Mal ou bem, que bom isso!
Mesmo que tudo omisso
Há muito, está explícito
Os que verão os que virão
No inverno ou no verão
Não hão o que mentir
Pois a verdade que buscam
Já existe e está por vir

domingo, 13 de março de 2016

Tixotropia

                      


Tixotropia 

Encontrava-me num estado são
Já me via, assim, um pouco mais rijo
Entorna-se o líquido, então peptizo 
O que há de ominoso nessa adição?

É que esvai-se, portanto, toda arché
Pois, se aplica-se um pouco de pressão
De tão dúbia que é minha condição
Já não saberei mais o que se é

Feliz por água dissolver glicose 
Era tão aprazível como mel
Antes de pectizar-me por osmose 

Mas o verdadeiro mesmo é de fel
Todo dia que se repita a dose
Não sei se sou lua, sol ou sou gel






terça-feira, 8 de março de 2016

Angelical - MONTEIRO, Marcio Fabiano

                    


    Hoje é uma homenagem muito importante. Em especial aquelas que buscavam melhores condições, lutaram por direitos e, em troca, receberam brasas. Não cabe tantas palavras desse meu lado. Todavia, abro, aqui, espaço para a produção inspirada de um professor meu, Marcio Fabiano Monteiro, sobre essa criatura angelical:

Angelical

Eu quero propor um verso
Nesse dia especial
Que trata de um ser tão belo
Criatura angelical
De natureza divina
De amor sobrenatural.

Conta a sagrada escritura
Que Deus a criou um dia
Não para servir o homem
Mas fazer-lhe companhia
Presente em todo momento
Seja dor ou alegria.

Por ser ela tão sublime
Dotou-a de dar à luz
E sendo tão importante
Por ela nasceu Jesus
Estando a ela ligado
Até a morte na cruz.

O que a torna diferente
Vem da sensibilidade
Um puro instinto materno
Precoce maturidade
Uma dose de altruísmo
E outra de humanidade.

Manifesto da beleza
Com toques de sedução
Sob tal encanto inerente
A fonte da inspiração
Onde bebem os poetas
Desde a velha tradição.

Uma figura emblemática
No auge da dualidade
De força sobre humana
Em tanta fragilidade
Coragem que move o mundo
Sem perder a humildade.

Rainha dos nossos lares
Pronta ao que der e vier
Esteio da família
Em um momento qualquer
Esse anjo abençoado
Ao qual chamamos mulher.

Márcio Fabiano Monteiro
(08 de março de 2016)

domingo, 6 de março de 2016

Desilusão e contentamentos

                       

    O homem é inconstante e temporal, mesmo que se sinta temporal e constante. Perpetua-se apenas na cultura e na escrita subjetiva. Também está em seu legado de convívio. A sua riqueza encontra-se não só na diversidade, mas na capacidade de buscar sua identidade (que parece sempre estar mudando, mas não perde a essência) e de interpretar, analisar e usufruir de crises de qualquer espécie. Sempre deve lembrar que tudo dele é possível tirar, menos seu conhecimento, suas experiências e sua sensibilidade. A maior beleza da vida é a expressão, o que também é uma grande causa de intriga. Por isso, o foco de seu caminho deve ser compreender os limites de seu campo de ação dentro de uma gama de direitos e responsabilidades. Seu poder de criação é limitado, que ele não se engane. Mas é infinita em variedade. Sua capacidade de associação também é notável. Em contraste com tudo isso, está seu poder de destruição de toda categoria. A esperança, por inteira, é rala, mas coletivamente e individualmente, fecunda-se. Sempre estará em uma mar de desilusões e contentamentos. Está sempre a buscar a estética. Talvez se um dessa espécie chegar a ler estas linhas sinceras, vá logo ralhar com a diagramação, a não paragrafação. Tomo-me da liberdade de forma, mas também não julgo a esse. Mas, de qualquer forma, as palavras têm sua beleza, em disposições de variada riqueza. Só aconselho ao homem que não crie expectativa, porém nunca deixe de planejar. Mesmo que não queira-se admitir, há sempre um contentamento em cada desilusão.