Hoje, encontro-me muito felizes. Isso, paralelo a qualquer motivo usual, deve-se ao fato de um grande achado pessoal. Basicamente, em 2015, fiz uma grande produção literária para um trabalho (grande em tamanho, mas a crítica é vosso ônus). Porém, perdi essa produção. Agora, encontrei-a. Isso foi motivo de muito contentamento. O tema (que está contido no título) fala de algo que me era muito presente. Um ponto positivo é que posso passar a analisar o texto diacronicamente. Apenas ressinto um pouco o fato de a conclusão já não se encaixar perfeitamente na minha realidade. Aqui está:
Ano letivo
Sejam todos bem-vindos
Esse é o primeiro dia
Com toda a turma
Esbanjando alegria
Foi bom o descanso
Quanta animação
Mas acordar esse horário
Eu não queria não
Chego, enfim
No ombro, a mochila
Na sala encontro
As carteiras em fila
Olho uma, olho outra
Porém, é em vão
Onde devo sentar?
Eis a questão
Vejo meus colegas
Novos também posso ver
Ó, quanto tempo
Tenho tanto a dizer
Diz Joãozinho:
"Quantas peraltagens
Conte-me amigo
Como foram as viagens?"
Diz Luizinha:
"Tantas novidades
Ó, minha amiga
Estou morrendo de saudades"
[ Essas aí, no entanto
Não sei nem se amigas são
Afinal, por que nas férias
Não se encontraram então ]
Por fim, meus pertences
Disponho em minha mesa
E, para o primeiro dia,
Até que com certa destreza
O estojo é novo
Está cheio de coisas
O caderno impecável
Olhe, cá, minha bolsa
E assim, perdura
Por mais umas semanas
Disciplina alemã
Disposição espartana...
...Era tudo ilusão
Verdade já não vi
Agora, a sala
Mais parece um zumbi
Se foi a alegria
Se foi o conforto
Até o professor
Já parece morto
No meio do cemitério
Há aqueles que falam
Fofocam, conversam
Mas nunca se calam
No meio dos que falam
Há aqueles que riem
Se apenas pelo professor
Consideração sentissem
E esta prosopopeia
Segue o dia inteiro:
"Com licença, professor
Posso ir ao banheiro?"
Percebo que essa vagareza
Não é somente minha
Veja só Joãozinho!
Veja só Luizinha!
Abro meu estojo
Está todo vazio
E a minha caneta
Por acaso, alguém viu?
Tentei organizar
Todo o meu caderno
Mas ordem não vejo
Esse, sim, é o inferno
Quando chego ao colégio
Meu cabelo molhado
Pois, mesmo com pressa,
Eu estava atrasado
Então, as matérias
Já não fazem sentido
Mas vou bem nas provas
Pois sou prevenido
Aula dada
Aula estudada
A última vez?
Quinta-feira passada
Enfim, julho chega
Pausa merecida e típica
O professor dos alunos
E essa verdade é recíproca
Adeus, vou à praia
Irei ver a maré
Porém, essa folga
Nem metade da outra é
Mesmo assim, aproveito
Cada dia que passa
Do quarto para a cozinha
Da cozinha para a sala
Retomam-se aulas
É um novo recomeço
Para todo e qualquer descanso
Eu dou muito apreço
Agora, minha sala
Está revigorada
Mas isso dura tanto
Quanto a última retomada
É o terceiro bimestre
Que chega decisivo
Agora, para estudar,
O que não falta é motivo
Ao seu final
Um cenário heterogêneo
Há aquele que é lerdo
Há aquele que é gênio
[ E agora, para você
Que a carapuça serviu
Não fique ofendido
Foi sem intenção, viu? ]
Uns já dizem:
"Que bom, já passei"
Outros, porém:
"Ó meu deus, que farei?"
E, assim, a sala
Segue no mesmo ritmo
Capivara ambulante
Caramujo legítimo
Hora de dizer as nota
"Acho que tirei dois"
"Professor, por favor,
Só me diga depois"
Está chegando o fim
Todos muito ansiosos
Outros, no entanto
Demasiado ociosos
É a reta final
Que bom! Finalmente!
De tanto trabalho
Já me cansava a mente
E, agora, para você
De exame final
Eu passei direto
Adeus, tchau-tchau!
Pois a família de alguns
Vai estar cortando o peru
Enquanto você, aí:
"Cadê o cruzeiro do sul?"
E alguns já estarão
Cantando com Noel
E você, aí:
"Que de Bandeira tem Manuel?"
De qualquer forma, então
Para casa você regressa
De certo, para a família
Isso é uma grande festa
Por fim, chegou o fim
Vou sentir muitas saudades
Mas não posso esconder
A minha felicidade
Amo a todos vocês
Estou muito emotivo
Vejo-os ano que vem
Em outro ano letivo!
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P.S.: Qualquer indício de arrogância é mera formalidade.