domingo, 28 de janeiro de 2018

Pela lente do poeta - por Raul Riul

   Conheçam a página do meu grande amigo Raul Riul. Ele traçou o caminho da poesia de maneira mais profissional, já ganhou até um prêmio e vai lançar um livro. Isso tudo vocês podem consferir na página dele. Vou colocar o link com essa foto dele com o prêmio que ele ganhou. Visitem lá:

O jogo


Ó Bauman e o mundo líquido
Nunca soube onde estava
Nem o que terei sido
Mas, neste jogo, qual é o ímpeto?
Cada palavra
Uma peça movida
No tabuleiro da vida

Mais uma dose


A Intermitência me mata
A constância me aflige
Esta busca é sensata
Ou é melhor estar triste?
O tempo é marca-passos voraz
A meu coração mantém e tira a paz
E essa dor e sentimento são antigos
Mas para sóbrio sair da rotina tenaz
Preciso de mais uma dose de amigos

Sóbrio alívio

                                                                             
Sozinho na multidão
Apontando para a contramão
Fazendo tudo pelo em vão
Nem digo que sim
Nem digo que não
Incerteza é angustiante
E para seguir avante
Preciso dum empurrão
Mas dentre todo o caos
E as coisas faltantes
Reconhecer o mau,
O inevitável,
O mais e o menos provável
É estranhamente reconfortante
Poesia em gotas de prosa,
Aliviante

Vínculo


Já parou para pensar
No que alguém pensa
No que alguém sente
No momento em que pensas
No instante presente?
Já parou para pensar
O que passava em seu ar?
E então sentiu seu mundo apequenar
Por pensar muito além
Por pensar em alguém?
Só restava esperar
Para que então
Passassem a pensar
Como um só coração

O cão burguês


Era uma vez
Um cão burguês
Que buscava compreensão
Ao lamber o chão
Era mais um dia
Mais um dia para este cão
O cão burguês
Que muito corria
E só contava até seis
Para então ir embora
E muito havia corrido
Embora sabia
Que toda sua história
Não fazia sentido

Resiliência


Divida ou multiplique
Some ou subtraia
Siga constante
Qual constante arbitrária
Que não se deve esquecer
Para integração mais geral
Sem aplicar-te limites
Ou por mais essencial
Não te quitas
Ainda existes
Nem a menos de um sinal

Rodas epifânicas


Acordo cedo
Para olhar meu monociclo
Insisto e implico:
Tem duas rodas:
A de dentro
E a de fora
Na rua me sento
Esse é o meu alento:
Olhar meu monociclo
Numa manhã fria
E enquanto amanhecia
Mais eu percebia
Que estava certo
Cada vez mais perto
De compreender meu monociclo
Sentado de manhã cedo
Mas nem sequer cheguei
A compreender a mim mesmo

All taken for granted


As the days pass through
I wanna keep up on the way
Full head over night
Empty heart over day
Trying to answer: “It’s all right”
Deep felt on tasks, as I may
And, meanwhile, in thoughts:
“Well, what should I say?”
But, out of the blue:
‘Mindout!
Ya have nothing to complain about!
Look all good stuff of ya!’
That is my mind
That came up to remind me:
‘Nothing wrong, nothing right’
‘Just look around
Pleasure is not pretended
Now go hear how it sounds
All the things you’ve taken for granted’

Canção ao Éter



Já bem sei
Não pairas lá no espaço
Perfazendo o vácuo vazio
Mas acho que vejo teu traço
Em corações, fluidos qual rio
Me embriaguei com teu cheiro
Entre carícias e abraços
Que me queriam condensar
E gotejei,meio à névoa,meio ao ar
Respirando bastante
Do éter desse mundo:
Conectado e distante
Jogando um jogo estranho
Seguindo avante
Parando para o banho
Em reflexão constante
Em constante condensação
Buscando, em vão
Engarrafar-te em um pequeno pote
De tampa vazada
Ah, se tivesse eu a sorte
De que ainda preenchesses
Somente o nada

Nada ou alguma coisa

   Retornando algumas postagens. Saudades do blog. Não deixei de produzir poesia nesse meio tempo. Apenas não as postava. Mas agora tenho várias guardadas. Quero manter um registro das minha produções e compartilhá-las, então vou postar tudo de uma vez. 

Nada poderia existir
Poderia não existir nada
Mas alguma coisa existe
Alguma coisa inesperada
Meio aleatória
Mas que persiste
„Diga-me que é essa nóia
Para, para com essa paranóia
E vê se acorda
Acorde seus acordos
E só concorda
Siga a pular a corda“
É, acho que é o que faço
Não me resta outros planos
Que não deixar meu traço
Enquanto leio Augusto do Anjos
Observando meus passos
Meio a esse espaço euclidiano,
Ângulos em radianos,
Espaços vetoriais e planos
Planos concorrentes,
Planos tangentes,
Planos paralelos.
Universos paralelos
E o que tenho livre é minha mente
E com pessoas, meus elos
E feliz ou infelizmente
Séculos e séculos
Na imprecisão Hegeliana
Na escuridão da razão humana
Na incerteza dos tubérculos